Roteiros de viagem

O que ver em Florença com um dia na cidade

Piazza della Signoria, Ponte Vecchio, Galleria dell’Accademia e mais: tudo o que vimos em Florença, berço do Renascentismo, em pouco mais de um dia.

O que ver em Florença com um dia na cidade

Florença é o tipo de cidade que carrega um peso histórico gigante. Foi ali que o Renascimento praticamente nasceu, bancado pelo dinheiro e pelo gosto da família Médici, e é por isso que num raio de poucos quarteirões você esbarra em obras de Michelangelo, Brunelleschi, Botticelli e Giotto. É uma cidade pequena para a importância que teve (e na prática, isso significa que dá para ver muita coisa legal em pouco tempo).

No nosso caso, tivemos cerca de um dia inteiro em Florença, mas dividido em duas partes. Chegamos no primeiro dia na hora do almoço e passeamos o resto da tarde, e no dia seguinte ficamos até as 16h, quando saímos para o próximo destino. Deu para fazer um roteiro bem completo assim mesmo, mas se você puder ficar mais tempo, vale a pena, principalmente para visitar palácios e museus sem pressa.

Chegada e primeira tarde em Florença

Assim que deixamos as malas, fomos direto para a Piazza del Duomo, que reúne num único espaço três dos monumentos mais importantes do Renascimento: a Basílica de Santa Maria del Fiore, com a cúpula de Brunelleschi; o Campanile de Giotto; e o Batistério de São João, com as Portas do Paraíso de Ghiberti (que Michelangelo considerava dignas de dar entrada no céu). A basílica, em especial, é MUITO impressionante e lindíssima. Não entramos desta vez, mas é possível comprar o ticket para conhecê-la por dentro e subir até o topo.

Seguimos até a Piazza della Signoria, coração político de Florença há sete séculos, dominada pelo Palazzo Vecchio e sua torre medieval de 94 metros. Não entramos, só vimos por fora, e mesmo assim valeu a parada. Ao lado, a Loggia dei Lanzi funciona como uma galeria de esculturas ao ar livre e gratuita, com originais e cópias de obras renascentistas. Ficamos um bom tempo ali na praça, sentados, observando o movimento.

Basílica de Santa Maria del Fiore na Piazza del Duomo, um cartão-postal de Florença

A ideia inicial não era entrar na Galleria degli Uffizi, porque o tempo estava apertado, mas sobrou uma brecha na agenda e decidimos conhecer. Lá estão obras como o Nascimento de Vênus e a Medusa de Caravaggio. Uma dica que vale registrar: depois das 16h, o ingresso sai mais barato!

Da Piazza della Signoria é um pulo até a Ponte Vecchio, a ponte mais antiga de Florença, construída em 1345. É a única que sobreviveu à destruição das pontes pelos alemães em 1944. Segundo a lenda, Hitler ordenou que fosse poupada por causa de sua beleza. As joalherias que ocupam as duas laterais estão lá desde o século 16, quando os Médici expulsaram os açougueiros que vendiam carne sobre o rio e os substituíram por ourives, considerados mais dignos de uma ponte que ligava o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti.

Fechamos essa primeira tarde na Basilica di Santa Croce, que funciona como o Pantheon de Florença. Lá dentro estão os túmulos de Michelangelo, Galileu, Maquiavel e Ghiberti, além de um cenotáfio de Dante (talvez a basílica com a maior concentração de gênios enterrados por metro quadrado do mundo?!).

Segundo dia em Florença

No dia seguinte, começamos cedo pela Galleria dell’Accademia, que abriga o David de Michelangelo. A escultura foi feita entre 1501 e 1504, a partir de um bloco de mármore que outros escultores já haviam descartado como inaproveitável. O tamanho é impressionante: são 5,17 metros de altura! Ficamos um bom tempo observando a escultura por todos os ângulos e imaginando como é um trabalho difícil, mas muito bonito. A galeria enche rápido, então vale comprar o ingresso com antecedência no site oficial e reservar logo o primeiro horário.

Em seguida, passamos pela Giunti Odeon. Descobri essa dica pelo Instagram e achei que foi uma ótima parada depois de tanto tempo andando dentro do museu — isso porque, apesar de ser uma livraria, ela foi construída dentro de uma villa renascentista do século 16 e é repleta de afrescos no teto, colunas e uma arquitetura impressionante. Aqui vem a parte do breve descanso: a livraria divide seu espaço com um cinema! Há diversos bancos em que você pode se sentar e ficar assistindo aos filmes que passam no telão. Eles também oferecem sessões com filmes que estão em cartaz mesmo. Achei uma ótima escapada do roteiro tradicional.

Espalhadas por Florença também estão as fotoautomatica, cabines de fotos vintage que ainda funcionam pela cidade. Elas tiram aquelas fotos em preto e branco, em tira, no estilo retrô clássico. Fomos em uma que ficava no centro histórico e achei uma ótima recordação da viagem — mas vale lembrar que elas aceitam somente moedas.

David de Michelangelo em Florença

Outro palácio interessante, caso te sobre tempo, é o Palazzo Pitti. Foi construído em 1458 por Luca Pitti, um banqueiro que queria uma residência maior que a dos Médici, e acabou sendo comprado pela própria família Médici um século depois, quando os Pitti faliram. Com 205 metros de fachada, é o maior palácio de Florença, e os jardins de Boboli atrás dele têm fama de serem tão importantes quanto o edifício. Foi justamente esse tipo de atração que ficou faltando por não termos tanto tempo, mas que vale incluir caso sua passagem seja mais longa.

Encerramos o roteiro turístico subindo a pé até o Piazzale Michelangelo, um terraço construído em 1869 no alto da colina de Oltrarno. A subida parece mais puxada do que realmente é — nós fizemos caminhando aos poucos, mesmo com um calor e sol forte, e eu não achei tão difícil assim. A vista de lá de cima junta o Arno, as pontes, as cúpulas e os telhados num único enquadramento. É um cartão-postal de Florença!

Antes de partir para o próximo destino na Itália, ainda deu tempo de conhecer as tradicionais buchette del vino. São pequenas aberturas em forma de arco embutidas nas fachadas de prédios antigos. Elas surgiram por volta do século 16, quando famílias produtoras de vinho na Toscana passaram a vender direto ao consumidor, sem precisar abrir uma taberna nem pagar taxas extras (e de quebra, também serviam para evitar contato durante períodos de peste). Depois de ficarem esquecidas por décadas, várias foram reabertas durante a pandemia de covid. Hoje são mais de 150 espalhadas pela cidade, boa parte concentrada no centro histórico. Eu experimentei um vinho branco da Osteria delle Belle Donne e adorei!

Piazza della Signoria em Florença

Informações práticas

☀️ Em qual época visitar: Visitamos a cidade em junho de 2026. Fazia muito sol e calor, mas isso não prejudicou a experiência. Vale lembrar que nesta época do ano, as cidades italianas ficam ainda mais lotadas.

🚶‍♀️ Como se locomover: O centro histórico de Florença é bem compacto e caminhável. Todo o roteiro acima foi feito a pé, sem necessidade de outros meios de transporte.

🍦 Onde comer: De bistecca a risoto, de sanduíches a gelatos, Florença foi uma das melhores surpresas gastronômicas da minha passagem pela Itália. Separei sugestões de pratos típicos e restaurantes nesse post à parte sobre onde comer em Florença.

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