Como organizei 3 dias na Costa Amalfitana: onde fiquei, como se locomover e o que vale a pena conhecer em cada cidade.
Guia da Costa Amalfitana em 3 dias: Sorrento, Positano, Amalfi e Capri
A Costa Amalfitana fica no sul da Itália, na região da Campânia, a poucas horas de Nápoles. A fama vem das cidades penduradas na encosta da montanha, de frente pro mar — um visual que já rendeu fotos de sobra pela internet. Positano, Amalfi e Ravello são as mais conhecidas da costa propriamente dita, e Sorrento, mesmo tecnicamente ficando de fora dela, acaba entrando no roteiro de quase todo mundo por ser a porta de entrada mais prática. Capri, a ilha logo em frente, também costuma entrar na jogada, até porque os passeios de barco pra lá saem direto da região.
Quando comecei a planejar essa viagem pela Costa Amalfitana, a primeira dúvida foi decidir entre trocar de hotel a cada cidade ou ficar fixa em um lugar só. Perguntei para várias pessoas que já tinham feito a viagem antes, e a sugestão foi unânime: ficar em Sorrento e fazer as outras cidades em passeios de um dia. Segui o conselho e foi uma das melhores decisões da viagem, sem contar que Sorrento acabou sendo minha cidade favorita de toda a região! Abaixo, o roteiro que fiz de ponta a ponta.
Sorrento, nossa base na Costa Amalfitana
Saí de Nápoles com direção a Sorrento de trem, o suburbano que sai da Piazza Garibaldi, dentro da estação Napoli Centrale. O ticket custou 4,90 euros, comprado na hora mesmo, e a viagem leva cerca de 1 hora. Vale já avisar: na alta temporada, o trem vai absurdamente lotado! Fizemos a viagem inteira em pé, espremidos e segurando as malas — é um perrengue leve que vale considerar antes de embarcar.
De hospedagem em Sorrento, escolhemos o Hotel Kali Sorrento. Ele é bem posicionado para chegar a pé em quase tudo que eu queria ver na cidade, além de também estar próximo da estação de trem. O hotel fica num prédio residencial e lembra mais um Airbnb do que um hotel tradicional, mas o atendimento foi um dos mais atenciosos da viagem. A equipe deu dicas que fizeram diferença, como sugerir fazer o trajeto entre Positano e Amalfi de ferry em vez de ônibus, por causa do trânsito na estrada da costa. Sorrento não é uma cidade barata para se hospedar, mas, depois dessa experiência, recomendo demais e acho que vale o preço.

O centro histórico de Sorrento se resolve caminhando. Comece pela Corso Italia, a rua de pedestres que concentra o movimento da cidade, com lojas, cafés e restaurantes. Depois, pare na Piazza Tasso, a praça mais central, com vista para o golfo de Nápoles e o Vesúvio ao fundo. A praça leva o nome do poeta Torquato Tasso, que nasceu em Sorrento em 1544.
Duas paradas valem o desvio: a Marina Grande, com casas coloridas na encosta e restaurantes de frutos do mar, tem uma atmosfera bem mais local do que o centro turístico, quase como se fosse outra cidade. E os Giardini di Cataldo, um jardim de limoeiros e laranjeiras de uma família que produz limoncello artesanal há gerações. Foi lá que provamos um limoncello spritz e compramos azeites produzidos ali mesmo, saborizados com limão siciliano. O limão é praticamente um símbolo da Costa Amalfitana: a região cultiva uma variedade própria e, por isso, o fruto aparece em tudo quanto é canto.
Para comer em Sorrento, meus favoritos foram o Da Franco e o Da Gigino. No Da Franco, provei o nhoque alla sorrentina, prato típico da região, com molho de tomate, manjericão e muçarela gratinada no forno. No Da Gigino, comemos uma pizza bem saborosa.
E um detalhe que vale considerar: Sorrento é mais barata que as outras cidades da costa para comprar lembrancinhas. Comprei ali a toalha de praia que usei depois no passeio de barco em Capri por 7 euros — a mesma toalha custava por volta de 15 euros nas outras cidades. Aproveite para garantir seus souvenirs!

Positano e Amalfi: bate e volta na Costa Amalfitana
Decidimos combinar Positano e Amalfi no mesmo dia. O hotel nos sugeriu o site Ferryhopper, o que facilitou bastante a organização, já que dá pra ver todos os horários dos ferries num lugar só. Compramos o trajeto Sorrento-Positano-Amalfi com só um dia de antecedência e não tivemos problemas de disponibilidade. Peguei o primeiro ferry para Positano, por volta das 8h30/9h, depois o ferry Positano-Amalfi às 14h e o Amalfi-Sorrento às 17h. Esse intervalo deu tempo suficiente para aproveitar as cidades sem pressa.
Em Positano, caminhe pela Via Cristoforo Colombo, uma rua que permeia a costa e é repleta de lojas de roupa e de cerâmica. A graça da cidade é essa: percorrer as ruas da encosta e admirar as vistas de tirar o fôlego!
Se pegar praia estiver nos seus planos, saiba que funciona de uma maneira diferente do que estamos acostumados no Brasil. Por lá, é muito comum ter beach clubs ocupando a maior parte da “areia” (que está mais para pedras!). Sobram poucos espaços públicos e gratuitos para curtir a praia em si. A Spiaggia Grande é a praia principal, onde desembarcam os ferries, e que tem uma parte pública. Mas nas minhas pesquisas também anotei a Spiaggia di Fornillo, que acabei não conhecendo. Ela fica do outro lado do promontório, acessível por meio de uma caminhada de 10 minutos pela costa. Dizem ser mais tranquila do que a praia principal.

Depois do almoço, pegamos o ferry em direção a Amalfi. Assim como Positano, a graça da cidade é bater perna pelas ruelas e se perder.
Por lá, você também pode visitar a Duomo di Sant’Andrea, um dos exemplos mais completos da arquitetura árabe-normanda do sul da Itália. O ingresso de 3 euros dá acesso a todo o complexo, incluindo o Claustro do Paraíso, um jardim do século 13 com arcos entrelaçados de influência árabe, e a Basílica del Crocifisso, a catedral mais antiga da cidade, construída no século 9, onde ficam relíquias e afrescos medievais.

O melhor de Capri
Capri merece um dia inteiro de passeio. Há quem prefira se hospedar por lá, dentro da ilha, mas já adianto que os preços são salgados. Para nós, a melhor opção foi fazer um passeio de barco privativo para até 12 pessoas. Fizemos a reserva com uma semana de antecedência, seguindo a indicação do próprio hotel, que trabalha com um fornecedor local. Escolhi reservar com esse prazo justamente para conseguir ver uma previsão do tempo mais certeira antes de confirmar.
Uma van buscou a gente no hotel e levou até uma marina, onde pagamos a taxa de desembarque em Capri de 5 euros por pessoa e depois seguimos para o passeio. A primeira parte foi um tour ao redor da ilha, passando por várias grutas, com o marinheiro explicando as formações rochosas e as cores do mar e das pedras ao longo do caminho. Depois disso, o barco foi até a Marina Piccola, onde desembarcamos para ficar três horas livres em Capri.
Da Marina Piccola, subimos de ônibus até o centro da cidade (2,40 euros o trajeto) e passamos pela Piazzetta di Capri e pela Via Camerelle, a rua mais chique da ilha, com dezenas de lojas de luxo. Fizemos uma pausa para experimentar os gelatos da Buonocore. A casquinha é feita na hora, servida quentinha ainda. Os gelatos são deliciosos! Custa 5 euros e vale encaixar no roteiro. Um dos melhores sorvetes que já comi.

Depois fomos até o Giardino di Augusto, mas preferimos não entrar, e descemos a Via Krupp fazendo várias paradas para foto — é uma das melhores vistas de Capri! Vale muito fazer esse trajeto a pé. Descendo a Via Krupp, você praticamente cai de novo na Marina Piccola. Como o tempo era curto, comprei uma focaccia na Focaccia Lab, ali no centrinho, e comi andando pela descida mesmo, o que funcionou bem pra não perder tempo parando pra almoçar em restaurante.
Na Marina Piccola tem uma praia pública, que não cobra nada para usar — diferente de boa parte das praias da ilha, que são beach clubs pagos. A gente tinha levado uma toalha, então estendemos nas pedrinhas e demos um mergulho no mar. Por ser pública, fica bem cheia, mas ainda deu para aproveitar sem problema.

De volta ao barco, seguimos até a Gruta Azul. A entrada custa 18 euros por pessoa, pago em dinheiro direto aos barqueiros na entrada da gruta, e como o espaço é pequeno, o barco grande não entra — é preciso passar para um barquinho menor. O passeio lá dentro dura cerca de 5 minutos, e quem entra diz que vale a pena, mas preferi não conhecer desta vez.
Depois da Gruta Azul, o barco parou num ponto da costa da ilha para mergulho, com boias e máscaras disponíveis a bordo. Ficamos uns 20 minutos na água, o que foi sem dúvidas um dos melhores momentos do passeio. No caminho de volta ao porto, o marinheiro serviu bebidas que já estavam inclusas no valor, com direito a cerveja e limoncello. Desembarcamos no mesmo porto da ida, e outra van nos levou de volta ao hotel.
No total, o passeio foi das 8h às 16h, e pagamos 139 euros por pessoa. Foi um dos pontos altos da viagem inteira — se você for a Capri, esse é o tipo de passeio que vale muito a pena fazer.

Informações práticas da Costa Amalfitana
☀️ Melhor época para visitar: Fui no início de junho, ainda final da primavera, e já estava bem movimentado. Verão alto (julho e agosto) é outra história: dizem que fica bem mais complicado circular pela Costa Amalfitana, principalmente nas cidades menores. Se der para escolher, recomendo mirar nos meses de entressafra, tipo junho ou setembro. O clima já está bom o suficiente para praia e passeios de barco, mas sem o volume de gente do pico do verão.
⛴️ Como se locomover: Há quem prefira alugar carros ou scooters para conhecer as cidades da Costa Amalfitana, mas já deixo o alerta: nas temporadas de pico, o trânsito é intenso! Outros pontos para se levar em conta é que as estradas são bem sinuosas e não é tão simples encontrar lugar para estacionar. Dito tudo isso, nossa escolha foi o ferry. Prático, com horário marcado e lugar garantido. Existem ônibus que realizam esse trajeto entre as cidades — mas apesar de serem mais baratos, são um verdadeiro stress. Vivem lotados, com muita confusão entre turistas. Não acho que vale a dor de cabeça.
🛌 Onde ficar: Sorrento funcionou bem como base para os três dias, porque tem boa conexão de trem com Nápoles e de ferry com o resto da costa, além de ser mais em conta que Positano ou Capri para hospedagem.
💸 Dinheiro: Vale levar dinheiro vivo para a entrada da Gruta Azul em Capri, que é paga separadamente e só em espécie. Fora isso, cartão funciona normalmente em todos os restaurantes e lojas que eu fui na região.

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